Flipelô começa nesta quarta (17) no Pelourinho
Festa literária terá lançamentos de livros, debates e exibição de monólogo até domingo (21)
As festas literárias se caracterizam por promover encontros entre os amantes da literatura e de diversas artes. Não se restringem às mesas literárias ou à venda de livros. Por isso, precisa-se celebrar a volta da Flipelô – Festa Literária do Pelourinho, que começa nesta quarta (17) e vai até domingo, com praticamente todas as atividades gratuitas. O evento, que ganhou edição virtual no ano passado, volta a ser realizado presencialmente.
Além das tradicionais mesas que reúnem os autores, há exibição de peças de teatro, apresentações musicais, atrações gastronômicas, cinema… tudo no Centro Histórico. Entre as participações mais aguardadas, está a de Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, que vendeu mais de cem mil exemplares e venceu prêmios importantes como o Jabuti e o Oceanos.
A Flipelô é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado e, por isso, sempre escolhe um homenageado que tenha ligação com o autor que levou a Bahia para o mundo, através de clássicos como Capitães da Areia e Jubiabá. Desta vez, o escolhido é o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), autor de obras-primas como Vidas Secas e São Bernardo.
“Graciliano escreveu apenas quatro romances, que são conceituados como de altíssima importância, sobretudo Vidas Secas. Ele é o escritor da concisão, o escritor que pensa a palavra não para enfeitar, mas para dizer”, diz José Inácio Vieira de Melo, poeta e curador da Flipelô desde a primeira edição, em 2017.https://4f879c1b2dbe6360f4bfe7bd5ce6e2d0.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Nesta conversa com o CORREIO, José Inácio fala sobre o seu trabalho de curadoria e sua experiência na função também em quatro edições da Bienal do Livro da Bahia. O poeta não economiza elogios a Itamar Vieira Júnior, que, para ele é autor de um clássico, Torto Arado. “O livro dá conta do Brasil desde que surgiu até hoje, apresentando nossos problemas”.
O que é uma festa literária e em que ela se distingue de outros eventos literários, como bienais e feiras do livro?
Festa literária é uma nomenclatura, que tanto poderia ser festa, como festival, como feira… e a Bienal do Livro, que não acontece mais [na Bahia, foi até 2013]? A Bienal era tudo isso, até porque era anual e se chamava Feira do Livro. Mas festival ou festa trazem um ânimo. É para festejar, mas festejar o que? Festejar as letras. A Bienal levava as grandes editoras e trazia as celebridades. A empresa que realizava a Bienal aqui levava os mesmos autores para as diversas bienais que ela realizava, em MG, RJ… eram os mesmos nomes e abria-se um pequeno espaço para autores locais. Outra coisa: não pagavam aos autores. Quem bancava a participação de autores como João Ubaldo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colassanti, eram as editoras. Os autores locais não recebiam nada. A ideia era de que o autor tinha uma oportunidade de colocar o nome dele numa vitrine, como se o autor não tivesse conta para pagar, não
As festas literárias acontecem em cidades do interior e cidades históricos, como Parati, que é a primeira.
Por que não é no Rio de Janeiro [capital]? Porque ali ficam todos circulando, o povo e os autores. E a partir desses encontros de autores com autores de outras regiões ou países, surgem obras primas. É uma festa mesmo. O diferencial da Festa para a vitrine que são as bienais é o aconchego, a intimidade, é trazer o autor para perto. É a celebração do autor e da obra.